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Dores e delícias de mãe maratonista
Sou mãe. Tenho dois filhos. E a maternidade é uma coisa sublime. O período da gravidez, o momento mágico do parto, as primeiras gracinhas do bebê, os primeiros passos, os primeiros dias de escola, a entrada na faculdade (sim, a mais velha já está nesse caminho). Enfim, são tantas emoções...

Sou maratonista. Completei minha primeira maratona. E correr 42.195 metros é uma coisa sublime. O período de treinamento, os primeiros longões, o momento mágico da largada, as primeiras passadas. Enfim, são tantas emoções.

O que é melhor? Impossível escolher entre uma delas. As situações são distintas mas as emoções são semelhantes, pelo menos em tamanho e intensidade. Cruzar a linha de chegada na prova de Porto Alegre no dia 25 de maio foi a realização de um sonho, o desfecho de um projeto que teve início quatro ou cinco meses atrás. Foi dedicação; foi chegar tarde e cansada em casa após ter corrido, quatro dias por semana, quase sem disposição para as crianças (por mais que eles cresçam, serão sempre minhas crianças); foi ter que arrumar um jeito de sair cedo para o treino de sábado de manhã sem comprometer a rotina dos meus filhos; foi sentir uma alegria do tamanho do mundo por tê-los comigo na chegada, orgulhosos de minha conquista; foi sentir as dores musculares pós-maratona e ao mesmo tempo, como se nada sentisse, ter de "controlar" o pequeno irrequieto na hora de almoçar no restaurante.

Ser mãe ou ser maratonista? Fique com os dois, não necessariamente nessa ordem. Pode ser que o chamado da maratona pinte primeiro. O que seria um bom preparo - físico, psicológico e emocional - para encarar a maternidade depois. Se a cegonha aportar em sua vida antes, ótimo também. Quem tem filho logo descobre que o cotidiano se transforma em uma verdadeira maratona.

Sei que em todas as esferas a gente cumpre nossas cotas de dor, de entrega, de felicidade. Simplesmente não tenha medo. A idéia é ir vencendo e curtindo cada etapa como um quilômetro que fica para trás.
À Fernanda e ao Antônio só tenho a agradecer por me fazerem uma pessoa melhor a cada dia. Não seria quem sou sem eles. À maratona só tenho a agradecer por me desafiar, por me convidar a crescer.
Essa é a visão feminina de uma mãe recém-maratonista!
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