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Walter Feldman
Walter Feldman é médico desde os 23 anos, já foi vereador, deputado estadual e federal por dois mandatos em cada cargo, ocupou a Secretaria das Subprefeituras nos anos de 2005 e 2006 e desde 2007 comanda a Secretaria de Esportes Lazer e Recreação onde tem revolucionado com seu modo de pensar e conta com o apoio de toda equipe que veste a camisa da inclusão social e desportiva na Cidade de São Paulo. Playteam esteve em seu gabinete no começo deste mês e ele nos falou sobre os acontecimentos do esporte na cidade e de sua preocupação em incluir todos os paulistanos em alguma atividade física. Confira!
PlayTeam: Vimos que em alguns eventos como a Pedalada e a Corrida das Estações você participou, esta integração com os atletas ajuda também nas decisões políticas do dia-dia?
Olha, uma das tiradas mais incríveis na história da publicidade brasileira foi a que o Duda Mendonça que fez para a Gelol que dizia que ?não basta ser pai, tem que participar? e quando entrei aqui (Secretaria de Esportes), entrei no ritmo acelerado do esporte e no esforço de compreensão do papel do esporte como política pública, na interpretação do quadro que recebi do passado e sua projeção para o futuro, na incorporação do esporte como atividade que extrapola o sentido típico mas faz necessário para habitação, para a saúde, nos problemas sociais, de segurança e como isto colabora com a construção da cidadania. Tudo isto só pode ser compreendido se você tiver clareza de como o esporte se dá no seu corpo e na sociedade como um todo nas relações que o esporte constrói, então eu não poderia fazer isso teoricamente, claro que o ser humano tem condições de assimilar tudo isto teoricamente mas é muito diferente de você incorporar uma atividade prática, então consolidei uma idéia que para eu entender melhor o meu papel, teria que ser um atleta, não de alto rendimento, não competitivo minha idade já não permite mais isto e nem minha história de quando praticava esportes na fase universitária depois segui para outros campos de batalha, mas faço esforço enorme no meu tempo para fazer tudo o que uma boa prática esportiva exige e isto me ajuda muito a oferecer à São Paulo a idéia de construir nesta cidade o slogan da capital brasileira de esportes: uma cidade restituída, preparada, ambientada para que todo mundo que aqui more possa praticar a sua atividade física regularmente, além de um local que atraia investimentos na cadeia de produção, atividades e materiais sortidos, equipamentos cada vez mais sofisticados, eventos que atraiam opinião pública e turismo, que atraiam ocupação de leitos em hotéis e que façam a cadeia do turismo circular como a do esporte também; então para eu praticar esporte virou algo muito dentro do que o esporte tem...
PlayTeam: Quais esportes você pratica e há quanto tempo?
Todos que aparecem, ciclismo, corrida, futebol, a regularidade se dá na musculação é fundamental ter os músculos preparados para qualquer atividade e na aeróbica, mas outras oportunidades que apareçam ai para praticar futebol, peteca, bad minton (risos), tênis, bolinha de gude o que aparecer porque é o lúdico não é apenas a atividade física, é você estar num ambiente saudável. Pode sugerir práticas com o xadrez, damas, gamão... Temos o programa do xadrez mas não tem sido fácil é uma das atividades que não entram no gosto popular tão fácil, por isso acho que o ideal é ele vir pela escola mesmo, o basquete de rua entra como atividade física que está no gosto popular.
PlayTeam: Atualmente São Paulo conta com um inédito circuito de Corrida de Rua que abrange 22 subprefeituras, como é para você fazer parte desta história de inclusão social e desportiva? Para o ano de 2010 são esperadas quais novidades?
Entre todas as modalidades esportivas que recontactei e passei a conhecer, corrida de rua é a mais por cima, por causa da regularidade, da competência na realização, da escolha de local apropriado na Cidade de São Paulo em horários que não conflitam com o trânsito, com o preparo da nossa equipe técnica que já encontrei adestrada para realizá-las, mas muitas delas feitas pelo setor privado ou instituições não governamentais e que realizam quase 90 Corridas de Rua só na Cidade de São Paulo, mostrando que é uma prática de uma parcela da população proporcionalmente ponderável, fato isolado. A presença nas Corridas de Rua de 5, 10, 15, 30 mil pessoas mostra como é uma atividade pública de massa, grande presença popular, muito saudável porque a maioria das vezes as pessoas competem consigo próprio se preparando regularmente e tomando cuidados com nutrição, hidratação, com a fisiologia muscular, preparação cardiorespiratória, eu me encantei com elas e participo de todas que posso e nós constatamos que uma parcela da população não participa por ser da periferia ou por não poder pagar inscrições. Então o que o poder público fez no seu papel de encurtar as distâncias sociais: oferece corridas de rua para a população, que são gratuitas e com todos os componentes que uma corrida paga oferece, alimentação mínima necessária, hidratação, camisa de qualidade, medalha, segurança, acompanhamentos médicos, escolha de bons percursos, conforto na área de trânsito com a mesma qualidade que qualquer corrida realizada na área central de São Paulo. Foi um degrau de popularização das Corridas de Rua e nós pretendemos ainda ampliar, já tem subprefeituras que querem duas por ano o pessoal está se encantando, nosso limite de inscrições ainda são de mil por corrida queria chegar a 2, 3, 4 mil pessoas na linha de crescimento desta atividade.
PlayTeam: Como é realizado o planejamento destas corridas junto aos organizadores e CET? Como são realizadas as parcerias? Há previsão de contemplar todas as 31 subprefeituras com este já querido Circuito de Corridas de Rua de São Paulo?
A Secretaria de Esportes banca integralmente estes custos, Corrida de Rua não é uma coisa barata, com a parceria de todas grandes empresas ou entidades como Corpore, Yescom, Iguana Sports todas elas tem cota de participação, trabalham profissionalmente com custos bem reduzidos. A parceria com a CET é perfeita tem muita gente na empresa que corre e nos ajudam sempre e empresas como Nike e MonteVérgine... As subprefeituras que não estão incluídas são as que já tem outras corridas e só priorizamos nesta primeira etapa as que ainda não tinham, na Penha tem a tradicional Volta da Penha, Butantã, Vila Mariana Sé e Lapa tem várias corridas.
PlayTeam: Como se deu o processo de recuperação dos CDM?s (Clube da Comunidade) e como eles funcionam agora?
O prefeito Kassab nos autorizou recursos bastante pródigos ai num total de 90 milhões de reais com a recuperação dos equipamentos, todos os clubes adaptados na linha de transformá-los todos em Clube Escola, este é nosso objetivo, prepará-los fisicamente para poder receber o programa Clube Escola, alambrados, campos sintéticos, banheiros, arrumação das quadras, dos campos de futebol é um arquivo de obras que nos orgulha e daqui a alguns dias lançaremos o quarto plano de obras em 81 locais diferentes.
PlayTeam: Muitos corredores também são profissionais da área de esportes, a Secretaria de Esportes (SEME) dá algum incentivo de estágio e/ou trabalho para estes profissionais?
Nós temos na Secretaria de Esportes um convênio com o CIEE na absorção de estagiários, principalmente de educação física, jornalismo, psicologia, nutrição que são alocados em toda a cidade. Investimos muito e temos também o corpo de voluntários, um trabalho grande de qualificação de pessoal, reciclagem de conhecimentos e cursos de pós-graduação para aqueles que tem funções estratégicas.
PlayTeam: Diariamente vemos inúmeros ciclistas compartilhando o viário com ônibus, carros e motocicletas como se dá o projeto de sinalização das vias em atenção aos artigos 201 e 220 do código de trânsito que regulamenta o ciclista como parte deste complexo trânsito e como estão os projetos de ciclovia para a cidade de São Paulo?
Há um movimento forte de mudança, do espaço, do papel, da compreensão compartilhada da bicicleta em São Paulo, está mudando. Mas é só um processo, os códigos, legislações, decretos, portarias existem mais do que aquilo que está sendo aplicado mas há uma mudança o governo Kassab tem ampliado as ciclovias, tem trabalhado na segurança dos ciclistas. Mas fora isto tem o movimento de vários secretários dentro da prefeitura, Eduardo Jorge do Meio Ambiente, Eu dos Esportes, Alexandre Morais do Transporte, Andrea Matarazzo da Secretaria das Subprefeituras temos trabalhado no sentido de ampliar a possibilidade de ter faixas de lazer aos finais de semana e também de ciclovias que interpretem a realidade local, para melhorar a segurança. Então digo para você que está para acontecer um grande movimento de ocupação do espaço da bicicleta em São Paulo, já vem vindo na minha opinião nos próximos tempos vai radicalizar. As ciclo faixas são um espaço permanente, tenho uma lei que trata disto, lei mesmo e não projeto - que cria as ciclo faixas de lazer nos fins de semana - fiz quando vereador há 20 anos atrás e acho que será implantada agora, tenho três leis sobre bicicletas, uma no Estado e duas no Município então a idéia é que as ruas e avenidas que dão acessos aos parques no domingo serem liberadas para a bicicletas no período da manhã, com a facilitação, com sinalização, monitores, apoio da CET ajudando o ciclista a circular com mais liberdade e mais espaço.
PlayTeam: Como você vê o movimento bicicletada na Cidade de São Paulo? Há intenção do poder público em contribuir para a harmonia entre ciclistas e automotores? Como?
O movimento bicicletada é um movimento de protesto que se justifica porque a bicicleta e muito mais importante do que as autoridades reconheceram até hoje, 300 mil viagens por dia, 4 a 5 milhões de bicicletas guardadas nas casas e apartamentos. Se você criar soluções de uso dela com segurança e conforto todo mundo vai usar a bicicleta! Então acho o movimento bicicletada compreensível e o momento chegou, ninguém vai mais segurar isto ai, então acredito que iremos melhorar muito e estamos dispostos a mudar esta história.
PlayTeam: São Paulo está no mapa mundial da Corrida de Rua, qual o impacto deste destaque, o que isto representa para a cidade em relação ao turismo, comparado aos demais eventos como Carnaval, Parada GLBT e Fórmula 1 por exemplo?
São acontecimentos anuais e a atividade esportiva acontece o ano inteiro todos os finais de semana e muitas vezes além disto, então há um complexo de atividade esportiva que queremos conceituar também economicamente, estamos em via de contratar a GV para fazer um estudo econométrico do esporte em São Paulo, ou melhor, qual é o impacto econômico da atividade esportiva seja na cadeia produtiva de materiais, seja no aperfeiçoamento de equipamentos que permitam a prática adequada, seja na ocupação das ruas, das praças, do espaço, seja na atração de investimentos, na minha opinião o Brasil explora mal este potencial esportivo porque não cria uma cadeia de mídia que sejam vinculadas agências de viagens, a promoção de Corrida de Rua, Maratona e Meia Maratona lá fora, estamos concebendo um cast econômico da atividade esportiva, quando fizermos isto cientificamente comprovado mostraremos ao Governo que é viável investir na corrida de rua e o retorno será muito bom.
PlayTeam: Deixe uma mensagem para a equipe de corredores que mais cresce no Brasil, Playteam!
Continuem crescendo! Quanto mais crescerem ainda não será suficiente para a dívida que o Brasil tem em relação ao esporte, nosso objetivo na cidade de São Paulo é tímido: 11 milhões de pessoas praticando alguma atividade física, temos a tarefa de encurtar a distância daqueles que gostariam de praticar e não podem ou porque não tem dinheiro, tempo, ou espaço adequado nos vamos radicalizar o papel novo do esporte em São Paulo, o prefeito Kassab tem compreensão disto, eu também tenho de 2 anos e meio para cá e quero utilizar o resto da minha vida política priorizando a atividade esportiva como política pública.
por: Fábio Luciano
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