|
|
|
 |
 |
 |
 |
|
Meu Avatar... sou eu mesmo!
|
 |
Pessoal das corridas essa semana assisti o filme ?Avatar? dirigido por James Cameron o mesmo de ?Titanic? e ?Exterminador do Futuro?. O filme, que se passa num futuro muito distante, retrata um veterano de guerra paraplégico chamado Jake Sully que, através de uma experiência revolucionária, transporta sua mente para outro corpo, um ?avatar?. Esse processo de criação do tal ?avatar? não ficou bem explicado no filme. O ?avatar? de Jake é idêntico aos humanóides chamados Na?vi, habitantes do planeta Pandora. Jake não podia andar, mas essa transmudação fez com que ele tivesse inúmeras experiências no mundo mágico dos Na?vi.
Pois bem, esse portuguesinho, nas vésperas da Corrida de São Silvestre, em auge de sua fase de ?despreparação?, se imaginou no corpo de uma ?avatar queniano?, mas não qualquer um, mas de um idêntico a James Kwambai, vencedor da São Silvestre de 2008. Não deixei por menos e fui atrás do meu ?avatar queniano?. Não me perguntem como consegui, pois também é um processo que não posso explicar. Coisas secretas, vocês entendem, não é?
De todo modo, que adiantaria ter um ?avatar? de Kwambai se eu não pudesse usá-lo? Assim tive uma grande idéia: falar com o próprio James Kwambai. Ele no começo ficou bem ressabiado, mas, bem simpático, me atendeu na sala do hotel e não acreditou que tinha conseguido a uma cópia idêntica a ele. Levei-o ao laboratório e ele ficou impressionado. A proposta foi a seguinte: eu correria a São Silvestre com o ?avatar? e ele passaria o réveillon nos Estados Unidos de Vila Maria, com direito a churrasco, bebida e muito samba. Os olhos do queniano brilharam e ele fechou negócio comigo no ato.
Feita a troca o maior problema foi me acostumar a andar (nem digo correr) como um queniano. O corpo esquio e comprido do ?avatar? toda a hora queria desabar ao chão, estava todo desengonçado. Demorei um pouco a ter o equilíbrio suficiente nos movimentos. Não sentia fome e não sentia sede, só sentia... mêdo . O treinador perguntou por várias vezes se eu estava me sentindo bem. Bom, eu me sentia ótimo! Logo de manhã.sozinho, fui experimentar o equipamento. Dei uma volta ao redor do hotel, e corria como um raio e sentia o vento no rosto. Impressionante. Certamente eu me sentia bem!
Na entrevista, antes da prova, pensei um pouco mais sério sobre a encrenca que eu tinha me metido. Os repórteres me questionavam ininterruptamente sobre a previsão de meu desempenho na prova. Soltei uma resposta indecifrável: disse que não está tão bem preparado como no ano passado, porque não teve tempo de se recuperar direito do desgaste da disputa da Maratona de Nova York. Apesar disso, promete muito esforço. "Meu objetivo é a vitória e vou tentar correr para isso? (http://bit.ly/7yPbz1).
Passada essa situação levei meus pensamento para o ?verdadeiro? Kwambai. Liguei para seu celular, mas quase não conseguia ouvi-lo, pois o som da música era altíssima e sua voz, meio embriagada de tanta cerveja, somente pedia para confiar no corpo do ?avatar? e na persistência natural dos portugueses. Agradeci a ele, mas ele retrucou que ele é que devia me agradecer, pois estava se divertindo como nunca. Foi como chegar à borda da piscina depois de sentir-se quase se afogando...
Fui alinhar com os demais corredores da elite. Não conhecia ninguém, mas eles todos mudos e me entreolhavam. Achavam que Kwambai estava muito, muito estranho. Sei lá talvez tinham em mente que era uma nova tática queniana. Dada a largada achei conveniente acompanhar o ritmo de todos. Parecia uma criança com seu primeiro brinquedo. Corria sorrindo. Virei para o lado e vi Frank Caldeira. Ele me pareceu bem mais magro de perto. Acenei sorridente e ele fez uma cara tão feia para mim, que imediatamente tornei a me concentrar na corrida. Acho que ele não gostou.
Os demais competidores me olhavam a todos instante, esperando que eu fizesse algo inusitado. Talvez a tal nova tática queniana, sei lá. Cheguei ao oitavo quilômetro e o tanzaniano Martin Sulle falou algo muito alto e cuspiu ao chão. ?Será que ele estava tirando um sarro de minha pessoa?, pensei. Parti para tudo ou nada, não ia deixar barato. A cada passada aumentava minha distância com o restante do grupo e mais ainda a vontade de correr.
Cheguei a subida da avenida Brigadeiro e o medo toma conta de mim. ?Será que eu consigo ir nesse ritmo? E se descobrissem tudo?? Não ia deixar escapar essa oportunidade. Olhei para trás e percebi que tinha uma distância razoável. Aumentei as passadas e mentalizei a mensagem do ?verdadeiro? Kwambai: confiar no corpo do ?avatar e na minha persistência. Quando dei por mim já estava na avenida Paulista a poucos metros da chegada.
Passei na fita de chegada e a multidão gritava eufórica e um batalhão de repórteres me perguntava sobre a prova. E agora? O que o ?verdadeiro? Kwambai diria. Soltei uma pérola: Embora tenha vencido bem, pedi desculpas por não ter conseguido um tempo melhor. ?Infelizmente não consegui fazer uma boa preparação este ano por ter me desgastado muito na Maratona de Nova York. Gostaria de ter vencido com uma marca melhor?. (http://bit.ly/69eODy)
Recebi meu troféu e coroa de louros me desvencilhei do pessoal, pois tinha uma segunda etapa a cumprir. Feita a reversão para o bom e velho corpo português fui direto a minha Vila Maria em busca do ?verdadeiro? Kwambai. Ele me perguntou como ?ele? tinha se saído. Respondi que ?ele? havia vencido e entreguei o troféu e louros da vitória. Ele emudeceu por alguns segundos e virou para a galera em bom português: ?Uma rodada de cerveja para todo mundo, pois ganhei a São Silvestre!?. O pessoal não entendeu nada, mas rodada de cerveja de graça não aparece toda hora.
Como Jake, no filme, eu passei por uma experiência mágica no mundo das corridas. Participei de uma prova internacional, corri e venci como um atleta de ponta, e subi ao lugar mais alto do pódio. Tudo bem que esse feito era impossível com meu atual corpo, mas tenho comigo que a tal persistência portuguesa deu uma boa ajuda ao ?avatar?, ah isso deu!
|
|
 |
| | envie para um amigo |
7 comentários
|
|
 |
 |
 |
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
 |
|
|