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Travessia dos Fortes
Assim como eu, outros membros da PlayTeam gostam ou gostariam de praticar a natação como um complemento para a corrida. Já não é mais novidade que nosso desempenho nas corridas evolui quando praticamos outras atividades físicas em conjunto. Então, na condição de amador, pretendo relatar aqui minhas experiências e transmitir dicas que obtive até hoje nas provas e piscinas, a começar pela prova mais desafiadora da qual participei. Essa foi sem dúvida nenhuma a famosa Travessia dos Fortes no Rio de Janeiro.

Em novembro de 2006, após um primeiro ano de treinos e meia dúzia de competições no mar para ganhar experiência, encarei o que chamo de uma verdadeira travessia. A prova liga dois pontos extremos: o Forte de Copacabana com o do Leme, totalizando 3.800m em linha reta, ao contrário dos percursos fechados, onde a largada e a chegada acontecem no mesmo local.

Comecei a nadar em fevereiro de 2006 e levei um mês para me adaptar, melhorando respiração e corrigindo estilos. Logo passei para uma turma de nadadores que treina exclusivamente para Maratonas Aquáticas. Aí sim, percebi que a situação era realmente desafiadora, pois a carga de treinos chegava a ser exaustiva. Diferentemente da corrida, eu saía da piscina "acabado", trabalhava o resto do dia com muitas dores pelo corpo.

Apesar das dificuldades, já vislumbrava a chance de participar dessa prova no final do ano. É uma das provas mais tradicionais da natação, sempre assisti pela televisão e nunca imaginei que um dia eu estaria lá. Não perderia essa chance por nada.

Na véspera, um sábado, cheguei no Rio de Janeiro de ônibus e após almoçar na casa do meu cunhado fui até o Leme buscar meu kit. Infelizmente a refeição não me fez bem e ao chegar à praia, com aquele calor infernal, passei muito mal nos calçadões de Copacabana. Agüentei firme até voltar para casa, tomei remédio e fiquei bem de novo!

No dia seguinte, já ansioso, acordei cedo e fui direto ao encontro dos meus amigos nadadores, a maioria veterana naquela prova. Chegando ao Posto Seis de Copacabana tivemos uma infeliz surpresa: a organização delimita uma área com grades dentro da qual os quatro mil e duzentos atletas ficam concentrados, e dali largam todos juntos, porém, a fila que dava acesso já dobrava o quarteirão. Só conseguimos entrar cinco minutos antes da prova e com a área já completamente tomada pelos nadadores. Não dava para nos mexer e aqueles poucos minutos de espera até o estrondo do tiro do canhão pareciam eternos.

A largada para mim foi emocionante, a melhor parte da prova. Ver mais de quatro mil atletas correndo e gritando como loucos em direção à água fizeram com que me sentisse participando de uma cena num filme de guerra. Só faltaram as armas porque o que tomei de socos e pontapés não está escrito, tanto que nos primeiros quinhentos metros levei uma canelada no rosto que me arrancou os óculos. Por sorte o encontrei e consegui colocá-lo de volta.

Os treinos tiveram resultado, pois consegui terminar inteiro, sem dores e nem ferimentos. Para mim só interessava chegar ao final e havia alcançado muito bem meu objetivo. Estava feliz e muito satisfeito, na verdade me sentia um herói por ter cumprido um objetivo que no início parecia loucura. Da mesma forma como quem nunca participou de uma maratona, depois que a completa passa a encará-la de outro modo e entende que esses desafios pessoais servem para enxergarmos nossos valores e nos lembrar do quanto somos capazes de superar nossas próprias expectativas.
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